Poatan perdeu a luta, mas não perdeu a postura. Logo após ser nocauteado por Ciryl Gane na Casa Branca, Alex Pereira encarou o revés sem arrependimento e resumiu a própria filosofia em poucas palavras.
“Esse é o risco. Se eu não tivesse arriscado todas as vezes que eu lutei, não seria quem eu sou hoje”, disse o brasileiro
Derrota não abalou Poatan
A frase veio minutos depois de um nocaute duro. No segundo round do co-main do UFC Freedom 250, Gane acertou um golpe de encontro, derrubou o brasileiro e fechou a conta no chão, com socos e cotoveladas. Em seguida, o árbitro encerrou o combate.
Mesmo assim, Poatan não baixou a cabeça. Em vez de lamentar, ele lembrou que toda a trajetória dele nasceu de apostas arriscadas. Por isso, tratou o resultado como parte natural de quem sempre escolheu o caminho mais difícil.
O que estava em jogo?
O peso da noite ajuda a entender essa serenidade. Antes da luta, Poatan perseguia um feito inédito. Ele queria ser o primeiro atleta a conquistar cinturões em três categorias diferentes do UFC, já que tinha sido campeão dos médios em 2022 e dos meio-pesados em 2023.
Além disso, o prêmio ia além do cinturão. Dias antes, Dana White afirmou que uma vitória de Poatan e um terceiro título o colocariam acima de Jon Jones na lista dos maiores de todos os tempos. Ou seja, não era uma luta qualquer.
No entanto, o roteiro virou no segundo assalto. Gane, mais ágil e técnico, impôs o ritmo e neutralizou as principais armas do brasileiro. Como resultado, o sonho do tricampeonato ficou para outro dia.
Frase indica que fim de Poatan não deve ser cravado
A história recente, porém, joga a favor do brasileiro. Afinal, esta não foi a primeira vez que Poatan caiu e se levantou. Antes, em 2025, ele perdeu o cinturão dos meio-pesados, depois subiu de categoria e seguiu em frente. Aos poucos, transformou cada tropeço em combustível.
Agora, o futuro segue em aberto. Depois da luta, Poatan afirmou que vai conversar com a equipe antes de decidir se permanece nos pesos-pesados ou se retorna aos meio-pesados. Em vez de uma resposta no calor do momento, ele preferiu o silêncio dos bastidores.
E é justamente aí que mora a boa notícia. Mesmo derrotado, o brasileiro deixou a Casa Branca de cabeça erguida e com a mentalidade de sempre. Para quem acompanha a trajetória dele, isso pesa quase tanto quanto um título.
Por fim, fica a lição que Poatan repete a cada fase difícil. O risco assusta, mas é ele que separa o atleta comum do lutador que vira ídolo. E, enquanto existir esse risco, dificilmente alguém vai apostar contra a volta dele.
