Daguestão: por que a terra do wrestling virou a fábrica de campeões do UFC

De Khabib a Islam Makhachev, uma região pobre do Cáucaso transformou a luta olímpica em linha de montagem de campeões. O segredo começa na infância

Rodrigo Silva

Publicado em: 12/06/2026 - 11:20

Atualizado em: 12/06/2026 - 11:20

3 min de leitura

Khabib Nurmagomedov é de Daguestão

Khabib Nurmagomedov é de Daguestão e já enfrentou Connor McGregor no UFC. Foto: Getty Images

Nenhum lugar no mundo produz campeões de MMA como o Daguestão. A pequena república russa, encravada no Cáucaso, transformou o wrestling em cultura, e a cultura em títulos. De Khabib Nurmagomedov a Islam Makhachev, a linha de montagem não para.

Em novembro de 2025, Makhachev coroou essa hegemonia. Ao dominar Jack Della Maddalena no UFC 322, em Nova York, ele se tornou campeão de duas divisões do UFC. Carrega uma só derrota na carreira. Seguiu, passo a passo, a trilha aberta pelo conterrâneo Khabib, que se aposentou sem nunca perder.

O wrestling como língua materna

No Daguestão, lutar não é hobby. É parte da formação. Os meninos entram no wrestling cedo, antes de qualquer ideia de MMA. O próprio Islam Makhachev começou nas artes marciais aos sete anos, no taekwondo, antes de migrar para a luta e o sambo.

A base é dura por necessidade. Vida simples, trabalho pesado e disciplina rígida nas montanhas criam um atleta acostumado ao desconforto muito antes de pisar no octógono.

O sistema por trás dos campeões

A genética não explica tudo. O método em Daguestão explica. Boa parte dessa geração passou pela escola de Abdulmanap Nurmagomedov, pai de Khabib, em um modelo que combina wrestling, sambo e judô.

Khabib levou esse sistema ao topo e hoje comanda o canto de Islam Makhachev como treinador-chefe. O conhecimento não se perde. Passa de geração para geração dentro do mesmo time.

Por que o estilo daguestani vence sempre

O wrestling daguestani não persegue o nocaute espetacular. Persegue o controle. O atleta derruba, segura por cima e dita o ritmo até quebrar a vontade do adversário.

Esse domínio posicional vira ground and pound e abre caminho para a finalização. Não é o mais bonito de assistir, mas é, talvez, o mais eficiente do esporte. É uma abordagem grappling-first que segue funcionando, não importa o adversário nem a categoria.

O que o Daguestão ensina para quem quer começar

A lição daguestani é direta: comece pela base que controla a luta. O wrestling decide onde o combate acontece, e quem decide o terreno larga na frente.

Isso não significa ignorar a trocação ou o Jiu-Jitsu. Significa entender que o controle é a espinha dorsal do MMA moderno. O resto se constrói em cima dele.

Uma fábrica que não para

Enquanto o Brasil construiu sua identidade no Jiu-Jitsu, o Daguestão fez o mesmo com o wrestling. São dois caminhos diferentes para o mesmo destino: o domínio do chão.

Agora, com Makhachev no comando dos meio-médios, a fila anda. O primo Usman Nurmagomedov já reina no PFL. O próximo campeão provavelmente já está nos tatames de Makhachkala

Rodrigo Silva

Rodrigo Silva é editor-chefe do Ponto de Combate, portal dedicado a artes marciais. Com mais de 10 anos de experiência em comunicação, transitou por importantes veículos como RIC TV, Banda B e Bem Paraná. Na bagagem trouxe expertise em jornalismo, estratégia digital e negócios para o universo das artes marciais. Formado em Jornalismo pela Universidade Positivo, aprofundou sua formação com especializações em Mídias Digitais, Marketing, Gestão de Comunicação e Assessoria, além de MBA em Transformação Digital e Inovação. Atualmente cursa MBA em Gestão Comercial e Vendas. O perfil generalista tem o objetivo de integrar excelência editorial com visão estratégica de crescimento. No Ponto de Combate, Rodrigo combina agilidade na produção de conteúdo com gestão estratégica. O objetivo final é levar jornalismo de qualidade e conhecimento aprofundado sobre artes marciais para os leitores.

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