Carlos Prates: como o brasileiro mais perto do cinturão do UFC construiu sua base técnica

Brasileiro começou nas artes marciais aos 15 anos por orientação da mãe. Hoje é 2º no ranking dos meio-médios com 7 nocautes em 7 lutas no UFC

Rodrigo Silva

Publicado em: 03/06/2026 - 11:44

Atualizado em: 03/06/2026 - 11:48

4 min de leitura

Carlos Prates UFC — brasileiro celebra nocaute no octógono com joelhada característica

Carlos Prates celebra nocaute no UFC. Foto: UFC/Divulgação

Corintiano, filho único e que adorava jogar bola com os amigos em Taubaté, no interior de São Paulo. O primeiro contato de Carlos Prates com o mundo da luta foi por meio do pai de um dos colegas de futebol. O sonho de subir no octógono veio aos 15 anos, quando ele começou a treinar artes marciais por orientação da mãe, que queria que o filho “sossegasse” um pouco já que fazia escolhas erradas na vida.

Carlos Prates chegou ao 2º lugar no ranking dos meio-médios do UFC em maio de 2026 após nocautear o ex-campeão Jack Della Maddalena no UFC Perth. São sete lutas no UFC, sete nocautes, quatro bônus de Performance da Noite.

O apelido “The Nightmare” surgiu por acidente: “Como ninguém queria lutar comigo no Brasil, os promotores começaram a dizer que era um pesadelo encontrar um adversário para mim e eu adotei o apelido”, disse Carlos na sua biografia no site do UFC. Hoje, ele é o lutador brasileiro mais perto do cinturão na sua categoria.

Muay Thai aos 15 anos por orientação da mãe

Carlos começa a treinar aos 15 anos em Taubaté. Ele tinha problemas com escolhas erradas na vida e sua mãe o levou para a academia para treinar e aprender a filosofia das artes marciais.

A modalidade escolhida foi o Muay Thai, e essa decisão definiu sua trajetória até o momento. Prates, agora com 32 anos, passou anos no striking antes de migrar para o MMA. Com mais de 100 lutas de Muay Thai e kickboxing no currículo, o lutador mantém um jogo baseado no controle da distância. Ele usa o alcance avantajado e postura de canhoto para dominar os adversários.

Quando o MMA não deu certo no início, com quatro derrotas seguidas no começo da carreira, Prates tomou uma decisão que define sua trajetória: foi para a Tailândia aperfeiçoar o Muay Thai. Sua volta ao Brasil foi bem diferente.

A base técnica que o levou ao topo

Carlos Prates UFC — brasileiro celebra nocaute no octógono com joelhada característica
Carlos Prates celebra nocaute no UFC. Foto: UFC/Divulgação

Prates se divide entre os treinos na Vale Top Team, em Taubaté, sua cidade natal, e na Fighting Nerds, em São Paulo, distantes por cerca de 140 quilômetros. Duas academias, dois focos diferentes: o striking na base e o grappling como complemento.

Além do Muay Thai, Prates possui background em Jiu-Jitsu, sendo faixa-preta, e tem habilidade para enfrentar grapplers da divisão. Embora suas últimas vitórias tenham sido decididas na trocação, ele já demonstrou competência no solo e finalizou três adversários no MMA.

É exatamente a combinação que o UFC recomenda para quem quer começar no MMA: uma base sólida em uma modalidade de striking e competência suficiente no grappling para não ser dominado no chão. Prates escolheu o Muay Thai como base e o Jiu-Jitsu como complemento. A estrutura levou ele para o 2º lugar no ranking mundial.

Carlos Prates: o que sua trajetória ensina?

A história de Carlos Prates tem três lições práticas para quem está pensando em começar:

A primeira é que a base importa mais do que a variedade. Prates não tentou aprender tudo ao mesmo tempo. Escolheu o Muay Thai, foi para a Tailândia aprofundar o conhecimento e só depois integrou outras modalidades. A profundidade numa base é mais valiosa do que a superficialidade em várias.

A segunda é que a consistência supera o talento no longo prazo. Prates passou 12 anos na carreira profissional, com 26 lutas, antes de chegar ao UFC. O Estreante do Ano de 2024 não surgiu do nada, mas sim de uma década de trabalho.

A terceira é que a derrota faz parte do processo. Prates teve quatro derrotas seguidas no início da carreira. A resposta foi ir para a Tailândia, não desistir. O treinamento que parecia um retrocesso foi o que o transformou no atleta que nocauteia ex-campeões mundiais.

O que vem agora?

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Com o 2º lugar no ranking e sete nocautes consecutivos no UFC, Prates é o favorito lógico para a próxima disputa de cinturão da divisão. Seu estilo, que inclui jab rápido e potente além de joelhadas incisivas, foi comparado pelo próprio UFC ao de Alex Poatan Pereira, atual campeão do peso meio-pesado.

A diferença entre Prates e a maioria dos atletas que chegam ao UFC com hype é a base: 100 lutas de Muay Thai antes de se tornar um fenômeno no MMA. É impossível falsificar esse tipo de fundação.

Rodrigo Silva

Rodrigo Silva é editor-chefe do Ponto de Combate, portal dedicado a artes marciais. Com mais de 10 anos de experiência em comunicação, transitou por importantes veículos como RIC TV, Banda B e Bem Paraná. Na bagagem trouxe expertise em jornalismo, estratégia digital e negócios para o universo das artes marciais. Formado em Jornalismo pela Universidade Positivo, aprofundou sua formação com especializações em Mídias Digitais, Marketing, Gestão de Comunicação e Assessoria, além de MBA em Transformação Digital e Inovação. Atualmente cursa MBA em Gestão Comercial e Vendas. O perfil generalista tem o objetivo de integrar excelência editorial com visão estratégica de crescimento. No Ponto de Combate, Rodrigo combina agilidade na produção de conteúdo com gestão estratégica. O objetivo final é levar jornalismo de qualidade e conhecimento aprofundado sobre artes marciais para os leitores.

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