A prática marcial tem como propósito o autoconhecimento, equilíbrio físico, mental e a superação pessoal. A frase é de um comunicado da academia Chute Box e o seu criador: Rudimar Fedrigo começou na arte marcial exatamente desta forma, com a superação de uma dificuldade. Nascido no Rio Grande do Sul, ele se mudou para Curitiba com três anos de idade e, ao final, dos anos 70, enquanto andava de bicicleta foi atropelado por um carro. O acontecimento resultou em fratura no fêmur. No entanto, abriu uma porta que talvez não fosse procurada.

Quando os amigos chegaram para visitar Rudimar no hospital estavam todos uniformizados. Eles treinavam Muay Thai com o Mestre Nélio Naja, falecido em 2018, que foi o responsável pela introdução do esporte no Brasil.
“Eu não sabia o que era Muay Thai, era uma luta bem desconhecida”, lembra Rudimar em entrevista exclusiva ao Ponto de Combate.
Rudimar começou a treinar Muay Thai e isso “deu ânimo” e fez com que ele recuperasse o movimento da perna. Desde então, o trabalho nunca mais parou.
Chute Box se tornou referência mundial
Rudimar fundou a Chute Boxe no final dos anos 70 em Curitiba. O nome não foi escolhido por estratégia, foi escolhido por necessidade. “As pessoas mal sabiam que tipo de luta era. Ai eu pensei que como o esporte dá chute, usa o boxe, desta forma nasceu o nome da academia. Precisava explicar o produto”, disse.
A Chute Boxe foi fundada em 1979 e há décadas cria futuros campeões. Anderson Silva, Maurício Shogun, Wanderlei Silva, Cris Cyborg e Fabrício Werdum passaram pela academia. Hoje a Chute Boxe está presente em todo o Brasil, além de Estados Unidos, Espanha, Itália, Uruguai e Austrália.
Rudimar Fedrigo: arte marcial ajuda em qualquer profissão
A visão de Rudimar Fedrigo fez com que a Chute Box construísse um legado mundial nas artes marciais. Mais do que formar campeões, o trabalho transforma os atletas até os dias de hoje. Contudo, a prática marcial não é apenas capaz de transformar o desempenho de um esportista no mundo da luta, mas também pode ajudar qualquer pessoa independente da profissão.
“Você aprende a ter disciplina, a ter garra, a ter respeito, a ter superação. Esses temas você pode levar para sua vida toda e até para as outras profissões”, destaca Rudimar
O mestre ainda cita que é comum que grandes empresários levem para os negócios o que aprenderam no tatame. É a mesma filosofia que ele aplica hoje na administração da Regional CIC em Curitiba, onde atende 204 mil moradores. “Você tem que gostar das pessoas, gostar de ajudar, estar junto com elas, ouvir, tentar resolver aquilo que elas desejam”.
Para quem quer começar a lutar, Rudimar tem uma régua bem específica: “Tem que ter muito coração, muita vontade, muita determinação. O lutador não pode ter chicken heart, coração de galinha. Tem que ter coração de leão”.
Os campeões que passaram pela Chute Boxe
Em uma trajetória de mais de 44 anos, Rudimar esteve diretamente ligado à formação de Wanderlei Silva, Anderson Silva, Maurício Shogun, Murilo Ninja, Cris Cyborg e Charles Oliveira. Cada um levou para o mundo uma identidade construída no mesmo tatame.
“Curitiba é uma das únicas cidades do mundo que não tinha um campeão, tinha vários. O curitibano tem muita raça, muita determinação”, disse Rudimar ao Ponto de Combate.
Saikyo 3: o evento do Mestre no Ginásio do Tarumã

No dia 13 de junho de 2026, às 19h, Rudimar realiza o Saikyo 3 no Ginásio do Tarumã, em Curitiba, com patrocínio da Secretaria do Esporte do Paraná, da Federação Paranaense de Boxe Tailandês e MMA e da Sanepar. O evento acontece na mesma noite do jogo do Brasil contra Marrocos pela Copa do Mundo, com transmissão ao vivo no telão.
“Você que nunca assistiu vai poder ter a sensação do que é umas lutas com realidade, muita adrenalina no ringue”, convidou o Mestre.
Rudimar transmite sua história de superação para que mais pessoas possam ser ajudadas pelas artes marciais. “Eu devo tudo o que eu tenho à arte marcial. Os caras que eu conheço no mundo, eu devo à arte marcial, o meu patrimônio que eu construí, tudo isso, a luta me fez chegar onde eu cheguei!”, reforça.
