O jiu-jitsu feminino brasileiro chegou ao Campeonato Brasileiro 2026 com uma pergunta e saiu com uma resposta. A pergunta era: a renovação geracional é real ou apenas promessa? A resposta veio em forma de resultado: quatro das nove divisões femininas de faixa preta foram vencidas por novatas ou atletas com menos de dois anos na graduação mais alta. Isso nunca tinha acontecido antes no Brasileiro.

Novatas dominaram o Brasileiro
De acordo com a IBJJF, Ashlee Funegra conquistou o título no peso leve-pena como caloura na faixa preta, após chegar ao Brasileiro invicta na graduação mais alta. Na final, venceu por decisão do árbitro após empate em 6 a 6. Sarah Galvão somou seu quarto título Grand Slam na temporada de 2026, também como caloura, dominando o peso leve com superioridade na passagem de guarda ao longo de toda a competição.
Mia Funegra, campeã mundial em exercício, subiu de categoria e conquistou o título no peso pena, sua segunda conquista major no black belt. Completou a final com um armbar a mais de três minutos do fim.
As três chegam ao Mundial de Jiu-Jitsu — previsto para o fim de maio em Long Beach — como favoritas em suas categorias e como símbolo da força do jiu-jitsu feminino brasileiro no cenário internacional.
Gabi Pessanha chegou ao décimo título
No lado oposto dessa geração está Gabi Pessanha, a atleta mais bem ranqueada do mundo feminino segundo a IBJJF. No super-pesado, ela finalizou as duas adversárias em menos de três minutos de tatame total.
Na disputa open class — a mais aguardada do evento — derrotou Sarah Galvão pela terceira vez na temporada, com 12 pontos a 0 e dominância total na passagem de guarda. O resultado foi o décimo título no Campeonato Brasileiro na faixa preta.
O que o Brasileiro 2026 significa para o Mundial?
O Campeonato Mundial da IBJJF acontece no fim de maio. O Brasileiro é o último Grand Slam antes do Mundial e funciona como termômetro de forma.
Gabi Pessanha e Sarah Galvão se enfrentaram três vezes na temporada e podem se cruzar pela quarta vez no absoluto do Mundial. Elisabeth Clay e Lillian Marchand estão empatadas em 1 a 1 nos finais Grand Slam desta temporada, com uma finalização cada — um empate que pede desempate no palco mais importante do ano.
Yara Soares chega ao Mundial como bicampeã brasileira mas ainda busca seu primeiro título mundial, acumulando seis pratas na competição ao longo da carreira. O jiu-jitsu feminino brasileiro nunca chegou a um Mundial com uma geração tão profunda. Veteranas dominantes, rookies invictas e rivalidades em aberto. Long Beach vai responder quem é a melhor do mundo em 2026.

