O judô brasileiro entrou em 2026 com um objetivo claro: construir o caminho para Los Angeles 2028. Quatro meses depois, os resultados mostram que o país está no caminho certo. Rafaela Silva abriu a temporada com ouro no Grand Slam de Paris em fevereiro. Houve a quebra de um jejum de dez anos sem brasileiros no lugar mais alto do pódio da etapa francesa.

Rafael Macedo conquistou o primeiro ouro pan-americano da carreira em abril. E o Brasil terminou o Campeonato Pan-Americano com a melhor campanha da história do evento.
Rafaela Silva: a volta mais importante do judô brasileiro
O Grand Slam de Paris é, ao lado do Grand Slam de Tóquio, o evento mais prestigiado do Circuito Mundial de Judô. Em toda a história do evento, apenas outros quatro brasileiros conquistaram o ouro: Edinanci Silva em 2000, João Derly em 2006, Leandro Guilheiro em 2010 e Mayra Aguiar em 2012 e 2016.
Rafaela fez a campanha perfeita na etapa. O ouro foi o primeiro título internacional desde que subiu do peso -57kg para o -63kg, há um ano. Com o resultado, ela adicionou 1.000 pontos ao ranking mundial e entrou, pela primeira vez, no top 10 da categoria no peso -63kg.
A trajetória de Rafaela em 2026 vai além do resultado em Paris. Na sequência, ela conquistou o segundo ouro do ano no Grand Prix da Áustria em março. Dois ouros em dois meses em competições do Circuito Mundial IJF é a consistência que o judô brasileiro precisava ver dela na nova categoria.
Rafael Macedo: o ouro pan-americano que mudou a temporada
Rafael Macedo conquistou o primeiro ouro pan-americano da carreira no Campeonato Pan-Americano Sênior 2026, em Cidade do Panamá, em abril. Com o resultado, ele soma um ouro, três pratas e um bronze em Pan-Americanos e acumula mais 700 pontos no ranking mundial.
O resultado tem peso estratégico. A partir de 2025, o Campeonato Pan-Americano passou a valer 800 pontos para o campeão no ranking da IJF, mais do que um ouro em Grand Prix. Macedo chegou à competição como medalhista olímpico por equipes em Paris 2024 e saiu como campeão continental inédito.
O Brasil no ranking mundial: 10 atletas no top 10
Antes do Grand Prix da Áustria, o Brasil tinha 10 atletas posicionados no top 10 mundial de suas respectivas categorias, e outros sete no top 20. São 17 brasileiros entre os melhores do mundo no judô, distribuídos por categorias masculinas e femininas.
Esse número é relevante para a corrida olímpica. A classificação para Los Angeles 2028 começa em junho de 2026, com os pontos acumulados no Circuito Mundial IJF definindo quem representa cada país nos Jogos.
O que vem a seguir: Baku e a corrida olímpica
Com o início da corrida por vagas nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 marcado para junho, o calendário da CBJ inclui 12 etapas de Grand Slam e Grand Prix, além do Campeonato Mundial Sênior em Baku, no Azerbaijão, em outubro.
O Mundial em Baku é o principal termômetro da temporada. Atletas que chegarem ao pódio em outubro consolidam posições no ranking olímpico e chegam ao ciclo final de classificação para LA 2028 com vantagem sobre os concorrentes. Para Rafaela Silva e Rafael Macedo, a temporada de 2026 já é a mais importante da carreira.

