Taekwondo olímpico: como funciona a pontuação e por que é diferente do que você imagina

O que você vê nas Olimpíadas não é o mesmo que se pratica na academia. E isso tem uma razão técnica bem específica

Rodrigo Silva

Publicado em: 19/05/2026 - 18:25

Atualizado em: 21/05/2026 - 14:12

3 min de leitura

taekwondo olímpico — atleta executando chute giratório na cabeça durante competição com colete eletrônico PSS

Competição de Taekwondo olímpico com sistema de pontuação eletrônica PSS. Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

Quem assiste Taekwondo nas Olimpíadas pela primeira vez estranha: os atletas ficam pulando, esquivando, e os pontos aparecem no placar sem que pareça ter acontecido nada. A sensação é de que você está perdendo alguma coisa. Está, sim. O Taekwondo olímpico tem regras de pontuação completamente diferentes do que se aprende nas academias, e entender isso transforma a experiência de assistir ao esporte.

O sistema que mudou tudo: o PSS

A pontuação no Taekwondo olímpico é determinada principalmente pelo sistema eletrônico instalado nos protetores de cabeça e colete, conhecido como Protector and Scoring System (PSS). Os pontos por técnicas de soco e os pontos adicionais por chutes giratórios são marcados por juízes usando dispositivos manuais de pontuação.

Antes do PSS, árbitros humanos decidiam se um golpe era válido ou não. O sistema eletrônico eliminou a subjetividade e criou um esporte diferente. Hoje o atleta precisa acertar com força suficiente para ativar o sensor — e isso mudou completamente a estratégia de combate.

Como funciona a pontuação na prática

O Taekwondo olímpico é muito diferente de outras artes marciais orientais. A principal diferença é que o Taekwondo usa mais técnicas de perna enquanto o Karatê usa mais ataques de mão. O Taekwondo é dinâmico e envolve mais chutes, giros e saltos. As mãos são usadas apenas como suporte.

A tabela de pontuação explica o estilo de luta que você vê nas Olimpíadas:

  • Chute no corpo: 2 pontos
  • Chute giratório no corpo: 4 pontos
  • Chute na cabeça: 3 pontos
  • Chute giratório na cabeça: 5 pontos
  • Soco no corpo: 1 ponto

Um único chute giratório na cabeça vale 5 pontos e pode virar uma luta em segundos. É por isso que os atletas buscam distância e ângulo. Assim, eles calculam o momento certo para o golpe de maior pontuação.

Taekwondo olímpico no Brasil

Nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, o brasileiro Edival Pontes, o Netinho, conquistou a medalha de bronze na categoria masculina até 68kg. Na luta pelo bronze contra o espanhol Javier Pérez Polo, Netinho acertou um chute na cabeça a três segundos do fim, o que fez virar o placar de 3 a 3. Resultado foi a vitória por superioridade no primeiro round.

O gol de placa do Netinho resume o Taekwondo olímpico: um único chute na cabeça no momento certo decidiu uma medalha olímpica. Não foi força bruta. Foi posicionamento, distância e timing precisos.

O Taekwondo estreou como modalidade demonstrativa nos Jogos Olímpicos de Seul 1988 e se tornou esporte oficial com medalhas nos Jogos de Sydney 2000.

Por que é diferente do que se aprende na academia

O Taekwondo de academia ensina formas, técnicas tradicionais e graduação por faixas. O foco é desenvolvimento físico, disciplina e cultura marcial coreana. O Taekwondo olímpico é um esporte de combate com regras específicas para maximizar espetáculo e objetividade na pontuação.

Os dois são válidos e complementares. Quem pratica na academia e assiste às Olimpíadas vê uma versão especializada e diferente do que treina todos os dias.

Rodrigo Silva

Rodrigo Silva é editor-chefe do Ponto de Combate, portal dedicado a artes marciais. Com mais de 10 anos de experiência em comunicação, transitou por importantes veículos como RIC TV, Banda B e Bem Paraná. Na bagagem trouxe expertise em jornalismo, estratégia digital e negócios para o universo das artes marciais. Formado em Jornalismo pela Universidade Positivo, aprofundou sua formação com especializações em Mídias Digitais, Marketing, Gestão de Comunicação e Assessoria, além de MBA em Transformação Digital e Inovação. Atualmente cursa MBA em Gestão Comercial e Vendas. O perfil generalista tem o objetivo de integrar excelência editorial com visão estratégica de crescimento. No Ponto de Combate, Rodrigo combina agilidade na produção de conteúdo com gestão estratégica. O objetivo final é levar jornalismo de qualidade e conhecimento aprofundado sobre artes marciais para os leitores.

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