O boxe brasileiro teve uma virada de chave muito importante após 2010. Até aquele ano, país tinha em sua história apenas uma grande conquista olímpica: a medalha de bronze conquistada por Servílio de Oliveira nos Jogos Olímpicos da Cidade do México, em 1968. Por mais de quatro décadas, aquele bronze solitário era tudo que o país tinha no boxe olímpico. O que veio depois mudou completamente esse cenário.
O primeiro bronze e o longo jejum
O Brasil conquistou duas medalhas de bronze nos Jogos Olímpicos da Cidade do México 1968: Servílio de Oliveira, no boxe peso-mosca, e a dupla Reinaldo Conrad e Bukard Cordes, na vela. No boxe, aquele bronze ficou sozinho por mais de 40 anos.

O legado de Servílio atravessou gerações dentro da própria família. Luiz Gabriel Oliveira, o Bolinha, é neto de Servílio de Oliveira, primeiro brasileiro a conquistar medalha olímpica no boxe. Bolinha conquistou o bronze nos Jogos Olímpicos da Juventude de Buenos Aires 2022 na categoria até 57kg. As conquistas de avô e neto têm mais de 50 anos de diferença e carregam a história do clã.
A virada de chave há 16 anos
Em 2019, Beatriz Ferreira venceu a chinesa Cong Wang na final do Campeonato Mundial de Boxe Feminino na Rússia e foi eleita a melhor atleta da competição, que reuniu 226 boxeadoras de 56 países. No mesmo ciclo, Bia foi campeã dos Jogos Sul-Americanos de 2018, dos Jogos Pan-Americanos de 2019 e do Mundial de 2019, até conquistar a prata em Tóquio na categoria leve até 60kg.
Tóquio 2020: o melhor resultado olímpico da história
O boxe foi um dos carros-chefes do Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, com a conquista de três medalhas, uma de cada cor: ouro com Hebert Conceição, prata com Beatriz Ferreira e bronze com Abner Teixeira.
Foi o melhor resultado olímpico do boxe brasileiro em toda a sua história. Três atletas, três pódios, três cores diferentes.
Beatriz Ferreira: a maior boxeadora do Brasil
Beatriz Ferreira foi a primeira atleta da história do Boxe Feminino do Brasil a conquistar a primeira posição do Ranking Mundial da AIBA na categoria leve. No Campeonato Mundial na Rússia em 2019, foi a primeira brasileira a ser eleita a melhor atleta de um Campeonato Mundial de Boxe Feminino.
Bia Ferreira é multicampeã mundial e vice-campeã olímpica. Sua trajetória representa a consolidação do boxe brasileiro feminino como uma das maiores forças do esporte mundial.
O boxe brasileiro hoje
O Centro de Treinamento da Equipe Olímpica Permanente do Boxe fica em Santo Amaro, zona sul de São Paulo, e recebeu elogios do presidente do COB Paulo Wanderley pela estrutura e pelos bons resultados recentes da modalidade. A Confederação Brasileira de Boxe organiza o calendário do boxe brasileiro em cbboxe.org.br.
